Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Dezembro 15 2009

 

 

Era tão simples o meu Natal...
Colhia um azevinho no quintal,
Havia no ar, suave fragrância,
Reinavam a paz e a alegria
Quando do monte o pinheiro trazia;
Era o Natal da minha infância!

Contavam-nos histórias de sonhar,
De um velhinho que nos ia visitar
Com um saco cheio de lembranças...
Em todas as casas ele entrava
P'las chaminés , onde deixava
Prendas nos sapatinhos das crianças.

Enquanto preparava os docinhos
Minha mãe cheia de carinhos,
Não se esquecia de recomendar:
"Se dormires vais ver logo cedo,
Que o Pai-Natal sem nehum medo,
P'la chaminé desceu para te deixar ...
O que pediste muito em segredo!

Eram assim os nossos sonhos...
De olhos brilhantes e risonhos
E na mais pura inocência...
Construíamos a nossa imagem
De um Pai - Natal em viagem...
Ouvindo a nossa pertinência!

II

Eu não sabia o que era maldade
E que por mera crueldade ...
Num futuro haveriam crianças
De alma pura e corpos vazios
Sem horizontes e sonhos vadios ...
E sem chaminés de Esperanças .. .
Que iriam se cruzar com meu olhar ,
E meio indiferente eu ia atravessar
Aquelas ruas cheias de gente ...
E normalmente eu seguia meu rumo...
Deixando para trás como um resumo...
Um tal pedinte ...  um tal indigente...

 

Como poderia eu mudar o Mundo!?


Cecília Rodrigues
Dezembro_2007

publicado por Cecilia Rodrigues às 23:46
editado por mariaivonevairinho em 19/12/2009 às 05:35

Dezembro 15 2009

 

A MATANÇA DOS INOCENTES
 
morre uma criança
a cada  três segundos
não choram anjos,
não se ouvem trombetas
em toques de alarme
 
um minuto para chorar
sem humanidade
sem solidariedade
vinte deixam de respirar
 
mil e duzentas
numa hora
e ninguém anunciou
a boa nova
da ressurreição
 
o mundo continuou
a girar
indiferente
no seu movimento
de rotação
vinte e oito mil e
oitocentos
cordeiros inocentes
foram imolados
e o Deus de Abraão
não levantou a mão
para impedir o sacrifício
e temos que louvar
o livre arbítrio
 
Herodes voltou
de petróleo encharcado
searas devorou
fontes secou
com seu hálito de fogo
fez chover balas
armas químicas
bombas, mísseis
trezentas e sessenta
e cinco vezes
em guerras se multiplicou
 
um átomo, um nada
no movimento da Terra
no espaço sideral
mas arrancou
dos seios vazios
de mães sem esperança
dez milhões e meio
de crianças 
 
Natal, tempo
para “ser bom”
cantar o amor, a alegria
a paz
entre os homens de boa vontade
 
se  a cabeça enterrasse
no vil pó do barro
de que sou feita
fosse cega, surda e muda
não veria, ouviria
os milhares de gritos de pavor
que saem de todos os cantos da terra
dos cordeiros imolados
rio, mar de dor
alastrando em todos os continentes
 
enquanto uma criança sofrer
de desamor sem igual
e de fome morrer
não me falem em NATAL!
 
maria ivone vairinho
 
 
publicado por appoetas às 20:05
editado por mariaivonevairinho em 28/12/2009 às 16:34

Dezembro 15 2009

 

FELIZ NATAL!
 
 
Solidariedade (acróstico)
 
Sente a dor dos outros
Ouve a voz do fraco
Liberta o oprimido
Impede a discriminação
Dá sem pedir em troca
Ajuda quem precisa
Renega o ódio
Investe na amizade
E neste Natal coloca nos sapatinhos
Daqueles que mais precisam   
Amor sem preconceitos
Dedicação sem reservas
E a esperança embrulhada num sorriso!
 
Abgalvão
publicado por palavrasaladas às 15:00

Dezembro 15 2009

Aproxima-se o Natal
O meu coração se alegra
Por ser um dia especial
Onde a família se integra

 

Sei que nem tudo são flores
Há muitos males p’lo Mundo
Meus irmãos têm muitas dores
Tantos vivem no submundo

 

Também sei, crianças sofrem
P’las mãos do homem esmagadas
Tantos sonhos que fenecem
Tantas “flores” maltratadas

 

Tantas guerras desfraldadas
Em terra que Jesus pisou
Nem as Palavras pregadas
Nada no mundo mudou

 

Sei que tudo isto é descrença
Que pró mundo vem tecendo…
Mas que toda a benquerença
Venha a nós num bem, nascendo!

 

Se almas turvas e cinzentas
Dentro delas Deus falasse
Não deixava que as tormentas
Seus sentidos dominasse.

 

Todos os males que há no Mundo
Pela Fé sejam curados,
Que no Natal seja profundo
Nas colinas, irmanados.


Porque clamar contra Deus?
Se os factos evidenciam,
Não fossem eles ateus,
As guerras não existiam.

 

Nesta época natalícia,
Renovam-se as Esperanças.
Despem-se almas de malícia
Falam vozes de crianças.

 

Falam, vozes, sem conflito,
Vão aos nossos corações
Ouçam, ouçam num só grito!
Que o Natal traga uniões!


Cecília Rodrigues

publicado por Cecilia Rodrigues às 14:58
editado por mariaivonevairinho em 19/12/2009 às 05:40

Dezembro 15 2009

 

 

 
Lá no Céu, no seu cantinho
um anjinho pequenino
passava dias e dias
olhando para as estrelas.
Que importava estar a vê-las
até horas tão tardias,
se tinha tempo… e as estrelas
luzes que cintilam, belas
fazem sonhos e magias?

Às vezes, anjos mais velhos,
vinham dar-lhe os seus conselhos:
“Vai deitar-te! Aí ao frio
não podes permanecer!
Não fica bem a um menino
das horas sempre esquecer!”

Mas ele era um sonhador…
Pensava: “lá bem ao fundo,
não haverá qualquer mundo,
decerto algo diferente
mas onde haja também gente?”

Que bom seria ir espreitar,
com suas asas voar,
tão depressa, tão ligeiro,
para depois regressar
com sonhos desse roteiro!

Às vezes, Nosso Senhor,
por alturas do Natal,
passava por ele e ia
bem depressa, tal e qual
como ele idealizava.
(Descia… e não demorava.)

Aonde iria afinal?
(Indagava-se o anjinho)
E, à noite, em sua cama
pensava nisso sozinho.

Era a ânsia de saber
o que ninguém lhe dizia…
Ir também? Podia ser?
De certeza, não podia.

Seus pais não consentiriam
uma saída do Céu!
E uma noite, e outra noite,
sempre triste, adormeceu.

Mas a Virgem tinha visto
e da treva fez-se luz:
tendo pena do anjinho,
triste, pensando, sozinho,
tinha contado a Jesus.

E uma noite, da janela,
disse-lhe Ela meigamente:
“Voa até à maior estrela,
verás que ficas contente”.

Dormia tudo em sossego.
A noite metia medo.
Mas ele lá foi, alegre,
embora fosse tão cedo...

Chegando à estrela indicada
foi encontrar Jesus Cristo;
sua carita, pasmada,
ao observar tudo isto:

De sacos, uma montanha!
Com brinquedos, com comida,
que coisa tão linda e estranha
nunca vira em sua vida!

Eram milhares e milhares,
com coisas tão variadas,
que ele passou seus olhares
com as palavras paradas!

Disse-lhe então Jesus Cristo
pleno de amor, tão profundo:
“Vamos levar tudo isto
a crianças de outro mundo.
Vamos encher corações
de alegria e de ternura;
há outras ocasiões
mas é uma boa altura…
No Natal eles aguardam
sempre pela minha visita.
Esta noite irás comigo
muita gente lá existe;
deixarás de ficar triste
é uma viagem bonita.

Quanto aos teus pais, já lhes disse:
ontem falei no assunto
sem tu teres dado por isso.

Partamos com alegria!

Esse monte aí ao lado,
esse que está aí junto,
agarra nele… e eu levo
todos os outros comigo.
Comecemos a voar,
anda daí meu amigo!”

Não podia acreditar
o nosso anjinho, coitado!
Ver mais além sempre quis!
Sentir-se assim tão feliz,
estaria mesmo acordado?

Mas começou a viagem…
Jesus cantava baixinho;
O anjo, de tão contente,
ia ouvindo, caladinho…

Lá foram entre as estrelas,
planetas, sempre, sem fim,
e viram coisas tão belas
que o anjo pensou assim:

“Haverá alguém no Céu
inda mais feliz do que eu?
que vou aqui com Jesus,
em fantástica descida,
vou dar brinquedos, comida,
vou a casas fazer luz
a gentes necessitadas…
De certeza que não há
ninguém tão feliz assim!
Que bom é ir até lá!
Que alegria tenho em mim!”

Nisto pensando, notou
um planeta enorme à frente…
com árvores, rios e mares,
casas onde havia gente…

Jesus disse-lhe: “é a Terra,
é este o nosso destino.
Vai dar tudo o que aí levas!
Não deixes nenhum menino
sem brinquedos ou comida!
É duro viver na treva!
Dá-lhes Luz, Amor e Vida!
Por outros lares diferentes
fazer o mesmo irei eu.
Depois então voltaremos
de madrugada pró Céu.”

E cada um pra seu lado,
foi cumprir suas missões…
O anjinho dava, contente,
do que tinha, àquela gente,
enchendo-lhe os corações
de alegria e de ternura.

Repartiu até ao fim.
Esgotou tudo o que levava.
Mas tanta gente feliz
numa noite ele deixava!

Já era quase manhã
e ia pró seu destino,
quando notou a chorar
e, de frio, a tiritar
muito infeliz, um menino.

O anjinho olhou para os sacos
e estava tudo vazio…
Mas como deixá-lo ali
a tremer, cheio de frio?

Teve uma ideia feliz:
foi buscar uma estrelinha,
deu-a então ao menino
para aquecer-lhe a casinha.

E ele ficou tão contente!...
Mas disse, preocupado:
“Olha que no Céu talvez
alguém tivesse notado…
Leva-a daqui mas põe perto,
de modo que ela me aqueça;
pois se a pões onde me abrigo
ainda vão ralhar contigo,
não é coisa que se ofereça…

Basta que fique baixinha
para que a vejam… ali...
Aquece toda a casinha
e vou lembrar-me de ti.”

O anjinho concordou
e a seguir desapareceu…
Nunca mais ninguém o viu
desde que voltou pró Céu.

Mas a tal estrela brilhante
que veio dessa ideia sã,
ainda hoje, cintilante,
lá está, das outras distante...

-É a ESTRELA DA MANHÃ.

 


Joaquim Sustelo

20.l2.1987

(Ao Rui Pedro e Sónia Raquel, meus filhos, que, à data em que escrevi este poema em conto, tinham respectivamente, 12 e 9 anos. Uma dedicação especial ao Rui, que foi com base numa redacção que fez sobre o tema, que eu depois adaptei para verso. Teve uma classificação muito boa e um elogio da professora e com orgulho veio mostrar-me. Com não menos orgulho, fiz então o poema).

 

publicado por tardesdeoutono às 12:35

Dezembro 15 2009

 

 

Rasgo o brilho da hipocrisia

abortando a música que me ilude.
 
Reinvento o caminho,
ensaio passos de alegria solta
e vou ao encontro da realidade.
 
São as luzes que ecoam imensas,
o dinheiro presenteado em disparate.
 
Tudo tão solene e impróprio,
deixam as cores do abismo
manchar as sombras da pobreza.
 
Fica bem apregoar o amor, a ternura
com molhos de rosas com fome e sem cheiro.
 
Descansemos, por hora, os peitos
nas areias movediças a que lhes chamamos paz
para amanhã
sabermos que o amor nasce de um simples sorriso.
 
 
Vanda Paz

 

 
publicado por Vanda Paz às 09:13
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